Dezenas de pessoas apresentaram sintomas consistentes com efeitos causados pela exposição a armas químicas depois que aeronaves atacaram a cidade de Khan Sheikhoun, no norte da Síria, segundo relatos de testemunhas à Human Rights Watch. Enquanto continuamos a investigar, relatos iniciais sugerem que dezenas de pessoas foram mortas. A cidade de Khan Sheikhoun é controlada por grupos armados que lutam contra as forças do governo sírio.

A legislação internacional proíbe ataques químicos. Com 192 Estados membros, a Convenção sobre Armas Químicas é uma das mais fortes proibições de armas no Direito Internacional. A Síria aderiu à convenção e desistiu de seu programa de armas químicas em 2013, após um ataque químico, supostamente realizado por forças do governo, que matou centenas de pessoas em um subúrbio de Damasco.

Um agente da defesa civil respira por uma máscara de oxigênio logo após o que os agentes de resgate descreveram como um possível ataque químico na cidade de Khan Sheikhoun, em Idlib, região controlada rebeldes, na Síria. 4 de abril de 2017.

© 2017 Reuters

Mas isso não significou o fim de ataques com armas químicas por forças do governo sírio. Em vez disso, eles se tornaram atos recorrentes na Síria. A Human Rights Watch documentou helicópteros do governo sírio lançando latas cheias de cloro em dezenas de casos. Nós emitimos relatórios sobre esses ataques em maio de 2014, abril de 2015, junho de 2015 e setembro de 2016. Em nosso último relatório, documentamos que as forças do governo sírio realizaram ataques químicos coordenados em novembro e dezembro de 2016 durante os estágios finais da batalha de Aleppo.

Além disso, documentamos que o Estado Islâmico (também conhecido como EI ou ISIS) usou armas químicas tanto na Síria quanto no Iraque.

Enquanto o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou ataques químicos na Síria em várias ocasiões, a Rússia e a China usaram o poder de veto para impedir sanções ao governo sírio. O responsáveis ​​por ataques químicos no passado podem ter interpretado a falta de consequências como uma carta branca para conduzirem mais ataques.

O uso continuado de ataques químicos na Síria por forças governamentais e grupos armados ameaça comprometer a forte proibição contra armas químicas existente na legislação internacional, levando a um encorajamento do uso desses armamentos por outros partes.

O Conselho de Segurança, incluindo a Rússia e a China, deve condenar esse ataque e apoiar medidas para responsabilizar aqueles que o fizeram.