A descoberta inicial do governo americano de que Israel violou os seus acordos com os Estados Unidos através do seu uso de munições de fragmentação no Líbano no ano passado deve levar a um corte imediato da venda de todas as munições de fragmentação americanas para Israel, a Human Rights Watch disse hoje.

Hoje é esperado que a administração Bush preste depoimento no Congresso na investigação do Departamento de Estado sobre o uso por parte de Israel de munições de fragmentação produzidas nos Estados Unidos. Grupos de desminagem [de minas antipessoais] estimam que Israel usou no Líbano munições contendo de 2,6 a 4 milhões de submunições, a maioria produzida nos Estados Unidos. O uso de munições de fragmentação por Israel foi o mais amplo no mundo desde a Guerra do Golfo em 1991.

“Nós investigamos munições de fragmentação em Kosovo, Afeganistão e Iraque, mas nunca vimos um uso de munições de fragmentação que tenha sido tão amplo e perigoso para civis”, disse Steve Goose, diretor da divisão de Armas da Human Rights Watch. “A questão não é se Israel usou as munições de fragmentação americanas legalmente, mas o que os Estados Unidos farão em relação a isso.”

A Human Rights Watch também incitou o governo dos Estados Unidos a exigir que Israel divulgue publicamente detalhes sobre a quantidade, o tipo e os locais onde as munições de fragmentação americanas foram usadas. Esforços para limpar esses resíduos de guerra mortais têm sido adiados pela recusa de Israel de fornecer tal informação a agências de desminagem.

Em 1982, a administração Reagan impôs a proibição da venda de armas de fragmentação para Israel durante seis anos, depois que uma investigação do Congresso descobriu que Israel tinha usado as armas em áreas ocupadas por civis durante a invasão do Líbano em 1982. A atual controvérsia em torno da venda de munições de fragmentação americanas para Israel surgiu em agosto de 2006, quando Israel pediu que os EUA entregassem rapidamente href=> mais de 1.300 foguetes M26 href=> para uso no Líbano.

Nos dias 22 e 23 de fevereiro, cerca de 40 países se reunirão em Oslo, na Noruega, para dar início a um processo para negociar um novo tratado internacional proibindo armas de fragmentação que causem danos inaceitáveis para civis. Atualmente, pelo menos 74 nações mantém estoques desse tipo de munição. No passado, os Estados Unidos, o Reino Unido e Israel fizeram grande uso de armas de fragmentação, mas muitos outros países podem fazer o mesmo se a munição não for regulada.

“Há um aumento no consenso internacional sobre os perigos que as munições de fragmentação representam para civis”, disse Goose. “O governo dos Estados Unidos deve seguir este pensamento, e não se opor a ele. Banir a venda dessa munição para Israel, ou para qualquer outro país, seria um importante primeiro passo.”

A ampla pesquisa de campo da Human Rights Watch no Líbano no ano passado mostrou que as forças armadas israelenses fizeram muitos de seus ataques com munições de fragmentação em cidades e aldeias, ou perto delas. Em alguns casos, os ataques foram contra o exército Hezbollah, mas em muitos outros casos os ataques ocorreram sem alvo militar evidente, segundo evidências da Força de Defesa de Israel. Muitas dessas cidades e aldeias continuaram habitadas por civis, cuja presença deveria ter sido levada em consideração antes dos ataques.

Muitas das munições utilizadas por Israel falharam em explodir, deixando para trás um número estimado de 1 milhão de submunições que ainda estão em risco de explosão. Submunições não detonadas de munições de fragmentação já mataram mais de 30 pessoas desde o fim da guerra e já feriram outras 184 pessoas.