Skip to main content

Pandemia de Covid-19 devasta o Brasil

Presidente Bolsonaro continua a se opor a medidas que poderiam salvar vidas

Fotografia aérea de um enterro em abril de 2020 em Manaus, na floresta amazônica no Brasil, onde pessoas que morreram por suspeita ou confirmação de Covid-19 estão enterradas. © 2020 Michael Dantas/AFP via Getty Images

O presidente Jair Bolsonaro fez um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão na semana passada no qual afirmou ter adotado todas as medidas necessárias para conter a pandemia de Covid-19. Enquanto ele falava, milhares de brasileiros faziam panelaços em suas janelas em desacordo - com razão.

O sistema nacional de saúde do Brasil está à beira de um colapso: unidades de terapia intensiva em todo o país estão no limite ou próximo ao limite de suas capacidades: 24 estados têm uma taxa de ocupação de UTIs superior à 80 por cento, em 19 estados a taxa é de 90 por cento ou mais e em 6 estados excede 100 por cento. A imprensa tem noticiado que pessoas estão morrendo na espera por leitos de UTI.

Na semana passada, cerca de um quarto de todos os óbitos de Covid-19 no mundo ocorreram no Brasil. E o país bateu outro recorde em 26 de março: mais de 3.600 mortes em um período de 24 horas. Um estudo estima que o país pode chegar a 5 mil óbitos por dia entre abril e maio.

Como o país chegou nesse caos devastador?

Desde que Covid-19 foi declarada uma pandemia, o Presidente Bolsonaro minimizou a ameaça, promoveu aglomerações e vetou uma lei que tornava obrigatório o uso de máscaras em escolas, comércios e prisões. Ele inclusive tentou fazer com que o Supremo Tribunal Federal impedisse governadores e prefeitos de impor regras de distanciamento social.

Em vez de incentivar o uso de máscaras e o distanciamento social, medidas indicadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo brasileiro investiu em medicamentos que afirmava, sem evidências científicas, prevenir ou curar a Covid-19. Soma-se a isso o surgimento de uma nova variante do vírus ainda mais contagiosa e a baixa disponibilidade de vacinas - apenas 7% dos brasileiros receberam a primeira dose - e é fácil entender como o Brasil chegou a esta situação tão terrível.

O direito internacional dos direitos humanos garante a todos o direito ao mais alto padrão de saúde possível e obriga os governos a tomar medidas para prevenir ameaças à saúde pública e garantir o acesso aos cuidados de saúde para aqueles que deles necessitam.

Sem a colaboração significativa entre todas as autoridades, incluindo todos os governadores, e sem adesão às recomendações da OMS, mais milhares de famílias brasileiras provavelmente perderão seus entes queridos. O Bolsonaro precisa começar a ouvir ciência e colocar a vida dos brasileiros em primeiro lugar.

Your tax deductible gift can help stop human rights violations and save lives around the world.

Região/País

Tema