Vinte e cinco anos após a AIDS ter sido identificada pela primeira vez, os programas para combater a doença continuam a ser minados por ideologias conservadoras e abordagens moralistas, disse a Human Rights Watch às vésperas do Dia Mundial da AIDS.

“As abordagens mais efetivas para prevenir o HIV/AIDS não estão sendo implementadas”, disse Joe Amon, diretor do programa de HIV/AIDS da Human Rights Watch. “Governos estão recusando a adotar programas testados e aprovados que respeitam direitos individuais e, em vez disso, estão promovendo campanhas ideológicas que tornam as pessoas vulneráveis à infecção”.

A Human Rights Watch identificou vários exemplos no mundo inteiro que afetam os que estão mais em risco de infecção pelo HIV, incluindo jovens, mulheres e usuários de drogas injetáveis.

  • Na África subsaariana, a maioria dos jovens adultos carecem de conhecimento adequado sobre a transmissão do HIV. Mesmo assim, alguns governos enfatizam abordagens de “somente abstinência” e promovem informações imprecisas sobre a efetividade de preservativos. Por exemplo, em Uganda o governo promove “desfiles da virgindade” e restringe a disponibilidade de preservativos para jovens, enquanto a epidemia – em um país que já foi considerado uma “história de sucesso” – piorou dramaticamente.
  • Mulheres são cada vez mais reconhecidas como a “face” da AIDS, mas governos se recusam a abordar os abusos de direitos humanos que causam sua vulnerabilidade. Uma em três mulheres sofrerá alguma forma de violência baseada no gênero em sua vida, e estudos descobriram que mulheres que sofrem violência têm até três vezes mais chances de serem infectadas.
  • Uma em três novas infecções fora da África afeta usuários de drogas injetáveis. No entanto, poucos governos estão adotando estratégias aprovadas, como terapia de substituição para dependência de drogas ou o fornecimento de agulhas limpas. Na Rússia, onde a epidemia é concentrada entre usuários de drogas injetáveis, o governo se recusou a permitir o uso de metadona e obstruiu a disponibilidade generalizada de agulhas limpas.

    Há seis meses, países-membros da ONU assinaram uma declaração reconhecendo que a proteção e realização de direitos humanos é essencial na luta global contra a AIDS. “O tema deste Dia Mundial da AIDS é ‘Manter a Promessa’”, disse Amon. “Mas, a não ser que governos adotem abordagens efetivas que respeitem os direitos dos que são mais vulneráveis à doença, suas promessas quebradas levarão a milhões mais infectados com o HIV”.

    Na Conferência Internacional sobre AIDS em Toronto em agosto deste ano, a Human Rights Watch coletou depoimentos sonoros de ativistas da AIDS e indivíduos vivendo com HIV no mundo inteiro que trazem histórias e perspectivas pessoais sobre o que é necessário na luta global contra a AIDS.

    “Ao ouvir as histórias deles você pode começar a entender o impacto da epidemia da AIDS e a falha dos governos do mundo em abordá-la”, disse Amon.

    Para ouvir os depoimentos (em inglês) de ativistas da AIDS e de pessoas vivendo com o HIV que a Human Rights Watch gravou na 16ª Conferência Internacional sobre AIDS, visite:
    https://www.hrw.org/campaigns/aids/2006/toronto/audio.htm>a

    Para entrevistas em áudio com qualidade de divulgação na mídia com outros importantes ativistas da AIDS no mundo, assim como um programa de rádio de 30 minutos produzido pela Human Rights Watch para a Conferência Internacional sobre AIDS, ambos em inglês, visite:
    https://www.hrw.org/campaigns/aids/2006/toronto/audio2.htm