Enquanto são constatados os números de vítimas na tragédia em Orlando (até agora 49 mortes confirmadas e 54 pessoas feridas), muitos lutam para compreender o incompreensível, para encontrar nas ações e palavras do assassino alguma pista sobre o porquê desse massacre. O ódio à comunidade LGBT parece ter sido uma questão-chave, mas apesar dos esforços de alguns em atribuir a tragédia da semana passada a um único fator, como o chamado "islamismo radical", as motivações do atirador podem nunca ficar claras. Pouco antes dos ataques, Omar Mateen jurou lealdade ao autodenominado Estado Islâmico (também conhecido como ISIS), e meios de comunicação filiados ao ISIS afirmaram reivindicação do crédito pelo ataque. A ex-mulher de Omar relatou que ele a espancou várias vezes quando eram casados, e um colega de trabalho informou que Mateen o tinha assediado e perseguido.

Pessoas acendem velas durante vigília em memória das vítimas do massacre na boate gay em Orlando, na igreja de St. Anne, no bairro Soho de Londres. 13 de junho de 2016.

© 2016 Reuters

Porém, um fato claro é que a tragédia na boate The Pulse se encaixa em um padrão de ataques em massa que, tristemente, têm sido comuns nos Estados Unidos: este foi o 176º incidente em que quatro ou mais pessoas foram atingidas por disparos em um único tiroteio apenas este ano.

Os piores massacres nos últimos anos se relacionam por conta do tipo de armamento usado. De Aurora à Newtown, de San Bernardino à Orlando, a principal arma letal foi o AR-15, um rifle de origem militar, cuja versão semiautomática é conhecida por sua precisão e capacidade de disparar, rapidamente, diversas vezes. Este é um armamento que pode ser comprado legalmente nos EUA. Famílias de crianças mortas em 2012 na escola de Sandy Hook, em Newtown, Connecticut (onde 20 crianças e seis adultos morreram) processaram fabricantes do AR-15, argumentando que o rifle é uma arma militar e não deve ser vendido a civis.

Além do armamento, no entanto, há outro ponto em comum: a inércia legislativa. Independentemente do número de mortos, da idade e identidade das vítimas e das motivações e história pessoal do(s) atirador(es), os legisladores que têm o poder de regular o acesso a armas não fizeram nada. Na verdade, eles têm inclusive proibido o financiamento público de estudos sobre a violência armada, que poderiam sugerir políticas eficazes. Encarar massacres como um preço a ser pago por viver nos Estados Unidos é desleal com aqueles que moram no país. O governo dos EUA tem a responsabilidade de proteger a sua população contra a violência armada. Enquanto alguns estados estão tentando abordar a questão das armas de fogo, o conjunto de leis e as brechas existentes não funcionam. O governo federal precisa se envolver e compreender o incompreensível.