Em um comunicado à imprensa, publicado no dia 14 de agosto de 2017, o presidente dos EUA, Donald Trump, finalmente condenou o racismo e a violência, incluindo os praticados pela "KKK, neonazistas, supremacistas brancos e outros grupos de ódio". A declaração ocorreu depois de forte clamor público em razão do fraco pronunciamento após os episódios de violência em Charlottesville, no dia 12 de agosto, em que um dito supremacista branco atropelou manifestantes contrários, matando Heather Heyer, de 32 anos, e ferindo outros 19. Dois soldados do estado da Virgínia também morreram em um acidente de helicóptero enquanto monitoravam os eventos e outros 15 ficaram feridos em confrontos relacionados.

Desde que assumiu o cargo, o governo Trump enfraqueceu severamente os mecanismos e instituições de proteção aos direitos civis. Também mudou a política de imigração e de refúgio dos EUA com base em perigosas generalizações de que imigrantes e muçulmanos são criminosos e terroristas e, tanto veladamente como abertamente, encorajou o racismo e a xenofobia. A declaração do presidente Trump pode se mostrar crucial neste momento em diante se for seguida de transformações genuínas e radicais nas políticas e práticas administrativas que hoje exacerbaram o clima de ódio contra minorias raciais e imigrantes nos Estados Unidos.

Os líderes de um país têm uma responsabilidade particular de defender os valores fundamentais de igualdade e não discriminação. Ainda que a liberdade de expressão e de associação sejam marcas de uma sociedade democrática, incluindo até mesmo demonstrações odiosas e ofensivas que não incitem a violência, os líderes de países devem condenar de forma assertiva e consistente expressões de preconceito. Para o presidente Trump, esta responsabilidade inclui a rejeição pública e inequívoca de apoio de indivíduos e grupos que fomentam o ódio em seu nome.

Para respaldar a declaração do presidente Trump de 14 de agosto, sua administração deve reverter a decisão de desmontar as funções e cortar orçamentos das instituições de direitos civis dos EUA; deve acabar com a tentativa de excluir o nacionalismo branco dos programas federais de Combate ao Extremismo Violento; deve revogar as políticas de imigração e refúgio com base no sentimento anti-muçulmano e anti-imigrante; e deve desligar do seu governo Stephen Bannon e Sebastian Gorka, que possuem histórico conhecido de encorajarem o movimento nacionalista branco.

Indo além, o governo de Trump precisa demonstrar liderança para que as autoridades dos EUA, estaduais e locais, possam agir com força e consistência para suprimir a discriminação e a violência racistas e xenófobas onde quer que elas ocorram. Aqueles que são alvos de violência em nome do ódio precisam estar confiantes de que o seu governo estará presente na proteção de  seus direitos fundamentais.