Ao suspender o programa de reassentamento de refugiados nos EUA, o presidente Donald Trump vira as costas para as pessoas em maior necessidade. Essas são pessoas que já foram submetidas a um procedimento de “exame extremo” para garantir que não representam uma ameaça para os Estados Unidos e também que tenham cumprido a norma prevista na legislação norte-americana de serem “refugiados com especial preocupação humanitária para os Estados Unidos”.

Sírios chegam a um campo de deslocados internos nos arredores da cidade de Azaz, a 5 quilômetros ao sul de Bab al-Salam e do posto fronteiriço fechado em Öncüpınar na Turquia em 6 de fevereiro de 2016.

 

© 2016 Reuters

O fato é que no âmbito do programa existente, refugiados que não podem ser examinados, simplesmente não entram. Aqueles que foram admitidos no programa foram submetidos um escrutínio mais intenso do que os 181 milhões de visitantes e imigrantes que entram nos Estados Unidos todos os anos.

Se os refugiados não são identificados diretamente pelas embaixadas dos EUA, a agência da ONU para os refugiados (ACNUR) faz primeiro a sua própria investigação minuciosa, incluindo uma triagem de segurança. Apenas 1 por cento dos refugiados de todo mundo são de fato reassentados, e aqueles poucos afortunados não escolhem seu país de reassentamento. O ACNUR faz essa escolha. Como o ACNUR conhece os rígidos requisitos e prioridades de segurança dos EUA, somente encaminha ao país os refugiados que acredita que atendem a esses critérios.

No entanto, a decisão de admitir essa pessoa nos Estados Unidos é inteiramente do governo norte-americano. A verificação de segurança inclui uma extensa investigação pelo Departamento de Segurança Interna, o Departamento Federal de Investigação, o Centro Nacional Antiterrorismo e outras agências. O refugiado passa por múltiplas e sobrepostas entrevistas, obstáculos de processamento, checagem biométrica da Interpol, bem como exames médicos, um processo que normalmente leva cerca de dois anos. O menor motivo de preocupação interrompe o processo.

Nenhum sistema é 100 por cento seguro. Mas o alarmismo de Trump sobre os refugiados está fora de qualquer relação com a realidade: dos quase 800 mil refugiados reassentados nos EUA desde 11 de setembro de 2001, apenas três foram presos por planejarem atividades terroristas e nenhum deles envolveu planos de ataques dentro dos Estados Unidos.

O decreto do Presidente Trump diz que se o programa de reassentamento dos Estados Unidos for retomado após a suspensão de 120 dias, ele se limitará a 50 mil admissões em 2017, o que representa menos da metade do número atual. Os sírios serão excluídos indefinidamente, e as minorias religiosas receberão preferência sobre as pessoas que fogem à perseguição por outras razões, como raça ou opinião política. Esses cortes drásticos, exclusões e preferências inflexíveis reduziriam o programa de refugiados dos EUA a uma sombra do que ele e hoje.

O programa de reassentamento de refugiados dos Estados Unidos salva vidas, e sua influência se estende muito além das fronteiras dos EUA. Por meio de seus programas de reassentamento de refugiados e ajuda humanitária, a liderança dos EUA reforça a segurança global apoiando países aliados que estão na linha de frente do êxodo de refugiados, como Jordânia, Quênia e Tailândia. Ajuda esses países a lidarem com o fardo de tantos refugiados e os convence a manterem suas portas abertas às pessoas que estão em grave perigo.

O programa também demonstra ao mundo - incluindo ao próprio Estado Islâmico - que os Estados Unidos têm força para demonstrar compaixão ao invés de medo. Retirar o apoio dos EUA aos refugiados prejudicará pessoas que confiaram nos Estados Unidos, desestabilizará governos amigáveis e tornará o mundo menos seguro para todos, incluindo, em última instância, aos próprios Estados Unidos.