Mulheres choram a perda de um familiar, Mohammed Ali Khan, 15 anos, estudante, morto durante um ataque de homens armados do Taleban na Escola Pública do Exército, em Peshawar, em 16 de dezembro de 2014.

© 2014 Reuters

O ataque a uma escola em Peshawar, no noroeste do Paquistão, deixou pelo menos 145 mortos – quase todos crianças – e define a mais nova e mais baixa perversão do Talibã paquistanês. Tragicamente, o ataque, assombroso por sua proporção, é apenas um dos frequentes ataques premeditados contra escolas no Paquistão e no mundo.

O grupo dissidente do Talibã paquistanês, Tehreek-e-Taliban (TTP), justificou o ataque contra a escola militar – onde os militantes passaram de sala em sala, sistematicamente, atirando em crianças e professores – como forma de vingança por uma continuada ofensiva do Exército iniciada em junho nas áreas tribais do Waziristão do Norte. O porta-voz talibã, Muhammad Umar Khorasani, disse que o ataque teve a intenção de fazer o exército "sentir a dor" por supostamente "direcionarem sua ofensiva contra nossas famílias e mulheres."

O ataque do dia 16 é de um horror e brutalidade incompreensíveis, mesmo para um grupo que já demonstrou desprezo pelas vidas de civis. Em sua guerra contra o governo paquistanês, o TTP tem frequentemente violado o direito humanitário internacional, que proíbe quaisquer grupos armados de submeterem civis a ataques intencionais, indiscriminados ou desproporcionais. Foi o TTP que, em 2012, atirou em Malala Yosafzai, em sua cabeça, por lutar pela educação de meninas.

Entre 2009 e 2012, houve pelo menos 838 ataques à escolas no Paquistão, deixando centenas delas destruídas. No mundo todo, nos últimos cinco anos, cerca de 30 países têm experimentado um padrão de ataques intencionais contra escolas, professores e estudantes, de acordo com a Coligação Mundial para a Proteção da Educação contra Ataques – um grupo de organizações não-governamentais e três agências das Nações Unidas que trabalham juntas para prevenir e tomar medidas em reposta a esse tipo de ataques. A Coligação tem documentado mortes de centenas de estudantes e educadores, além de muitos outros feridos. Nesse mesmo período, esse tipo de violência tem também impedido a educação de centenas de milhares de pessoas, ou as tem forçado a estudar e ensinar com medo.

No momento do ataque em Peshawar, 37 países, liderados por Noruega e Genebra, juntamente com 10 organizações internacionais, estavam reunidos em Genebra para discutir a necessidade de proteger a educação em tempos de guerra. Este evento trágico reforça a importância do lançamento das Diretrizes para a Proteção de Escolas e Universidades contra Uso Militar Durante Conflitos Armados.

Enquanto Peshawar ainda se recupera do ataque do dia 16, muitos paquistaneses vão esperar do governo do Paquistão que melhore a segurança das escolas para proteger os alunos e educadores de futuras atrocidades como essa. O governo deverá também dedicar esforços para prender e julgar os militantes do TTP e outros que usam escolas para perpetrar violência. Outros países podem demonstrar solidariedade às vítimas do ataque à escola de Peshawar não somente expressando indignação em relação a esse trágico acontecimento, mas também endossando as Diretrizes como uma expressão de determinação de que esses ataques devem ter um fim.