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Três anos e meio se passaram desde que autoridades no nordeste brasileiro relacionaram o incomum aumento de bebês nascidos com microcefalia, quando a cabeça é menor que o esperado e o cérebro não está totalmente desenvolvido, com a epidemia do vírus Zika transmitido por mosquitos.

Milhares de crianças nasceram com microcefalia e outras deficiências relacionadas ao vírus, agora conhecidas como síndrome congênita do Zika.

Muitas dessas crianças completarão 4 anos em 2019, e suas necessidades estão evoluindo e mudando ao crescerem. Mais do que nunca, as crianças e seus pais precisam de apoio governamental. Mas, apesar da enxurrada de manchetes em torno do nascimento de seus filhos, muitas famílias afetadas pela epidemia do Zika agora se sentem esquecidas.

Neste 22 de maio, entretanto, a situação dessas famílias pode melhorar. O Supremo Tribunal Federal finalmente decidirá sobre um caso que busca  expandir o acesso a benefícios e serviços para famílias cuidando de crianças afetadas pela epidemia do Zika.

Ao final de 2016, quando a primeira onda de crianças afetadas pelo vírus completava 1 ano, minhas colegas e eu entrevistamos cerca de 30 mulheres e meninas cuidando de crianças com a síndrome do Zika no nordeste brasileiro, região mais afetada pela epidemia.

Eu lembro de conhecer “Lídia”, que segurava seu filho “Danilo”, um bebê de 9 meses com síndrome do Zika, enquanto conversávamos em um hospital público em Campina Grande, na Paraíba. Após dar à luz a quatro filhas, ela sonhava em ter um menino. “Ele é meu príncipe”, disse ela.

Danilo tinha problemas de visão, e precisava de óculos especiais que custam mais de 500 reais.

“Quando ele conseguiu os óculos, ele começou a rir”.

Lídia trabalhava de faxineira para pagar as contas, mas teve de parar quando Danilo nasceu. A família precisava desesperadamente de dinheiro, mas ela não conseguia trabalhar e levar Danilo às terapias e consultas médicas três ou quatro vezes por semana.

A Human Rights Watch publicou um relatório em 2017 instando as autoridades brasileiras a darem apoio às famílias com crianças com a síndrome do Zika, mas hoje, as famílias que encontramos ainda estão enfrentando as mesmas batalhas.

Esse mês, a Human Rights Watch conversará com famílias como a de Lídia, para descobrir como elas – e suas crianças – estão se virando e se têm tido o apoio que precisam.

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Três anos e meio se passaram desde que autoridades no nordeste brasileiro relacionaram o incomum aumento de bebês nascidos com microcefalia, quando a cabeça é menor que o esperado e o cérebro não está totalmente desenvolvido, com a epidemia do vírus Zika transmitido por mosquitos.