Quando começarem os Jogos Olímpicos no Rio essa semana, equipes representarão mais de 200 países e territórios. Pela primeira vez, haverá também uma equipe representando as milhões de pessoas que não têm de fato um país para representar – refugiados de regimes repressivos que perseguem seus próprios cidadãos ou de Estados falidos que não conseguem protegê-los.

Em um ano em que os refugiados têm encontrado fronteiras, campos e mentes fechadas, o Comitê Olímpico Internacional teve uma inciativa notavelmente aberta: criou a Equipe Olímpica de Refugiados, composta por 10 atletas da Síria, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e Etiópia, que tiveram que superar enormes obstáculos para poder competir.

Membros da equipe de refugiados nos Jogos Olímpicos de 2016 posam na frente do Cristo Redentor antes dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, Brasil, no 30 de julho de 2016.

© Reuters/Kai Pfaffenbach

Nesta sexta-feira no Brasil, esses atletas ocuparão lugar de destaque na cerimônia de abertura dos Jogos de 2016, como uma equipe única, lembrando o mundo da força de vontade e espírito de humanidade que também fazem parte do ideal olímpico, independentemente da bandeira nos uniformes dos atletas. Essa equipe representará a coragem e a determinação dos refugiados ao redor do mundo, que bravamente perseveraram depois de fugirem da guerra, de ataques violentos e de perseguição.

Um dos membros da equipe de refugiados é o nadador Rami Anis, 25, que competirá nos 100 metros borboleta. "Eu treinava e estava esperando a guerra terminar no meu país para que eu pudesse voltar a participar", disse ele. Como centenas de milhares de sírios, Rami tomou a difícil decisão de fugir de sua casa em Aleppo, em 2011, quando bombardeios e sequestros tornaram-se uma realidade diária. Rami deixou tudo para trás, exceto uma pequena mala de roupas e sua paixão pela natação.

Além do treinamento exaustivo que os nadadores olímpicos se submetem na preparação para o Rio, Rami precisou atravessar mares perigosos em um bote inflável para a Grécia.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, o ACNUR, 63,5 milhões de pessoas estão deslocadas devido a conflitos e perseguição. Muitos políticos tentam impedir os refugiados de cruzarem suas fronteiras. A criação de uma equipe de refugiados renova o debate ao colocar o foco não no medo e no afastamento, mas na inclusão, celebrando a resiliência e o potencial que todos os refugiados representam.

"Estamos lutando por todos os refugiados no mundo", disse à Associated Press, o judoca Popole Misenga, congolês da equipe de refugiados. "Eu não estou triste por não carregar a bandeira do meu país. Vou levantar a bandeira de muitos países".