A 17 de janeiro de 2012, o governo angolano reconheceu a discrepância nas contas públicas. Numa declaração emitida através dos média estatais, o governo negou veementemente que houvesse quaisquer fundos “desaparecidos”, tendo afirmado que, apesar de continuar com a sua investigação, acredita que a discrepância “resulta fundamentalmente do insuficiente registo dos usos da receita petrolífera”. Afirmou igualmente, tal como a Human Rights Watch já havia divulgado, que a discrepância veio a lume devido às melhorias ao nível da monitorização governamental.

(Washington, DC) – O governo de Angola deve divulgar publicamente os esforços envidados para localizar dezenas de milhares de milhões de dólares em fundos públicos em falta, aparentemente relacionados com a Sonangol, a empresa petrolífera estatal, anunciou hoje a Human Rights Watch numa carta aberta ao ministro das finanças do país.

Em dezembro de 2011, o Fundo Monetário Internacional divulgou a existência de uma discrepância de 32 mil milhões de dólares por explicar nas contas do governo angolano entre 2007 e 2010.

“O governo de Angola é incapaz de prestar contas por dezenas de milhares de milhões de dólares de fundos públicos e tem de explicar o que aconteceu ao dinheiro,” disse Arvind Ganesan, diretor do Programa de Negócios e Direitos Humanos da Human Rights Watch. “A população angolana tem o direito de saber.”

A carta da Human Rights Watch vem no seguimento de um comunicado de imprensa lançado a 20 de dezembro. Apesar das interrogações dos média, o governo angolano recusou tecer comentários sobre o assunto.