Marielle Franco no Rio de Janeiro.

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A polícia do Rio de Janeiro prendeu dois suspeitos pelo assassinato de Marielle Franco, vereadora e defensora de direitos humanos, e seu motorista Anderson Gomes no dia 12 de março, dois dias antes do primeiro aniversário de suas mortes.

O delegado encarregado da investigação disse que o sargento reformado Ronnie Lessa executou Marielle e Anderson de a partir de um carro dirigido por Élcio Vieira de Queiroz. Élcio foi expulso da polícia militar em 2015 por atuar como segurança em um negócio ilegal de jogos de azar.

"É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia", afirmou o Ministério Público na denúncia.

Essas causas eram os direitos dos negros, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, e pessoas que vivem em comunidades pobres. Marielle, uma mulher negra, bissexual e ex-moradora de favela, também ajudava famílias de policiais mortos.

Em uma coletiva de imprensa, promotores públicos informaram que estão investigando se Ronnie atuou como matador de aluguel em outros homicídios e se integra uma milícia.

Em novembro, o então ministro da segurança pública pediu à Polícia Federal que investigasse alegações de que agentes públicos estavam impedindo a investigação.

Em dezembro, o então secretário de segurança pública do Rio disse que milicianos mataram Marielle. A polícia e os promotores não foram tão longe no dia 12 de março, informando que a motivação do crime é objeto da segunda fase da investigação.

As milícias são grupos paramilitares ligados a atuais e ex-policiais e bombeiros que extorquem taxas de segurança de comércios, controlam as vendas de gás, rotas de transporte e TV a cabo pirata e serviços de internet, além de estarem envolvidos no tráfico de drogas.

A impunidade é um problema enorme no Brasil. No Rio de Janeiro, o Ministério Público apresentou denúncias em apenas 12% dos casos de homicídio em 2015, segundo um estudo recente. Não sabemos quantos resultaram em condenações, pois os tribunais brasileiros não publicam regularmente esses dados.

Se os dois o policial reformado e o ex-policial são realmente culpados, seu julgamento será um passo importante na luta contra a impunidade. Contudo, precisamos saber não apenas quem apertou o gatilho, mas quem ordenou a execução e por qual motivo.