(Washington) – Donald Trump assume hoje a presidência dos EUA após ter prometido uma série de medidas que, se aprovadas, colocarão em risco direitos nos EUA e no mundo, disse hoje a Human Rights Watch. Defensores de direitos humanos, autoridades públicas e a população devem pressionar o novo presidente dos Estados Unidos a abandonar tais propostas, além de denunciarem ações do governo que violem direitos. O Congresso, os tribunais e os cidadãos dos Estados Unidos devem exigir transparência e responsabilizar o governo por políticas e ações que ameacem direitos.

“A cerimônia de posse inaugura uma nova era incerta e perigosa para os Estados Unidos”, afirmou Kenneth Roth, diretor executivo da Human Rights Watch. “Mesmo se cumprir apenas dez por cento de suas mais controversas promessas de campanha, o presidente Trump causará um revés significativo aos direitos humanos nos EUA e no mundo. Cabe agora às autoridades públicas e à população exigir respeito aos direitos que o presidente que está assumindo o governo do país parece ignorar”.

O candidato presidencial republicano dos EUA, Donald Trump, aceita formalmente a nomeação na Convenção Nacional Republicana em Cleveland, Ohio, nos EUA, em 21 de julho de 2016.

© 2016 Reuters

Desde sua campanha presidencial, Trump vem prometendo medidas que prejudicariam os direitos de milhões de pessoas – de imigrantes, que ele prometeu deportar em grandes números, às mulheres, cujos direitos reprodutivos ele ameaça restringir por meio de suas indicações judiciais. O presidente eleito chegou a admitir publicamente sua aprovação à tortura e o uso ilegal da força letal direcionada contra civis em outros países. Ele afirmou ainda que interromperia o processo de libertação de detidos na Baía de Guantánamo e que “lotaria a prisão com mais caras maus”. Sua escolha pelo Procurador-Geral, Jeff Sessions, tem um longo histórico de hostilidades e desprezo aos instrumentos que o Departamento de Justiça dos EUA deve usar para garantir a proteção aos direitos civis.

A política externa de Trump parece incluir estreita colaboração com governos repressivos em uma série de assuntos, sem consideração pelos controversos históricos de direitos humanos que eles apresentam. Durante sua audiência de confirmação, Rex Tillerson, indicado por Trump para Secretário de Estado, recusou-se a reconhecer violações de direitos humanos por parte da Rússia, Arábia Saudita e das Filipinas, apesar da extensa documentação de violações vinda de diversas fontes, incluindo do governo dos EUA.

Soma-se a todas essas preocupações o fato de que há muitos motivos para crer que o governo Trump buscará minimizar as críticas e a análise de suas ações. Trump e seus conselheiros têm difamado e insultado aberta e publicamente seus críticos. Relatos indicam que sua equipe de governo está considerando restringir o acesso da imprensa à Casa Branca. Trump notoriamente afirmou ainda que gostaria de enfraquecer leis de difamação para facilitar processos criminais contra jornalistas. 

“Ao desprezar os direitos de milhões de pessoas dentro e fora dos EUA, as propostas de Trump, caso sejam cumpridas, enfraquecerão os direitos de todos”, disse Ken Roth. “A população e as autoridades eleitas devem denunciar propostas e políticas que enfraqueçam direitos, além de exigirem do governo que as respeitem e protejam”.