Em 2025, as forças israelenses intensificaram suas atrocidades, incluindo crimes de guerra, crimes contra a humanidade, atos de genocídio e limpeza étnica contra palestinos em Gaza, matando, mutilando, usando a fome como arma de guerra, deslocando à força palestinos e destruindo suas casas, escolas e infraestrutura em uma escala sem precedentes na história recente de Israel e Palestina. Um relatório divulgado em setembro pela Comissão de Inquérito da ONU, concluindo que Israel cometeu genocídio em Gaza, ressaltou o crescente consenso entre organizações e especialistas em direitos humanos sobre as atrocidades da campanha genocida de Israel em Gaza, que resultou na morte de mais de 69.000 palestinos, incluindo mais de 19.000 crianças, e ferimentos em mais de 170.000, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.
Em 18 de março, as autoridades israelenses romperam um cessar-fogo que estava em vigor há cerca de dois meses. Elas realizaram ataques diários durante os quase sete meses que se seguiram, até que Israel e o Hamas entraram em um cessar-fogo mediado pelos EUA em 10 de outubro de 2025. O cessar-fogo envolveu a libertação dos reféns restantes em Gaza, que estavam detidos pelo Hamas e outros grupos armados palestinos há mais de dois anos, e de centenas de palestinos detidos por Israel, a maioria sem julgamento ou acusação. Ao longo do ano, os crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos por Israel, incluindo apartheid e perseguição contra os palestinos persistiram.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) continuou sua investigação dos crimes cometidos desde 2014, que estão sob sua jurisdição. Em fevereiro de 2025, os juízes do TPI encerraram o processo contra Mohammed Deif, comandante-chefe da ala militar do Hamas, pelos ataques de 7 de outubro de 2023, que incluíram crimes de guerra e crimes contra a humanidade, após confirmarem sua morte. Em julho, os juízes do TPI rejeitaram o pedido de Israel para retirar os mandados de prisão de 2024 contra Netanyahu e o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant por crimes de guerra e crimes contra a humanidade em Gaza. Embora os juízes do TPI ainda não tenham decidido sobre a contestação de Israel à jurisdição do tribunal, eles confirmaram que os mandados de prisão contra autoridades israelenses continuam válidos.
Gaza
As forças israelenses mataram mais de 400 pessoas em 18 de março, principalmente crianças e mulheres quando retomaram seu ataque a Gaza, e mais de 13.500 foram mortas entre 18 de março e 10 de outubro, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. O Ministério da Saúde também registrou mais de 350 palestinos mortos durante os dois primeiros meses do cessar-fogo. O número de vítimas em Gaza reportadas pelo Ministério provavelmente subestima o número de pessoas mortas diretamente como resultado das hostilidades, conforme mostrado em estudos elaborados por médicos e epidemiologistas, e também não inclui os prováveis milhares que morreram de desidratação, desnutrição e doenças, ou que estão soterrados sob os escombros.
Por mais de 11 semanas, entre o início de março e meados de maio, as autoridades israelenses impuseram um bloqueio total a Gaza, com o objetivo, segundo elas, de pressionar o Hamas a libertar reféns. Não permitiram a entrada de alimentos, medicamentos ou outros tipos de ajuda. Desde meados de maio, restrições abrangentes à ajuda humanitária permaneceram em vigor e um sistema de distribuição de ajuda militarizado e falho, financiado pelos EUA e administrado por organizações privadas sob a coordenação da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), começou a operar até o cessar-fogo de outubro.
Em agosto, os maiores especialistas mundiais em insegurança alimentar, que elaboraram a Classificação Integrada de Fases (IPC), declararam fome extrema na cidade de Gaza e nas áreas adjacentes e concluíram que toda a população de Gaza está “atualmente enfrentando ou deverá enfrentar uma crise ou níveis ainda piores de insegurança alimentar aguda entre 16 de agosto e 30 de setembro de 2025”. Até 11 de outubro, 463 palestinos, incluindo 157 crianças, morreram em consequência da desnutrição, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza. As forças israelenses mataram centenas de palestinos que buscavam ajuda alimentar. Entre 27 de maio e 19 de agosto, 1.857 palestinos foram mortos enquanto buscavam ajuda alimentar, 1.021 em locais da GHF ou próximos a eles, de acordo com a ONU.
As autoridades israelenses continuaram a privar a população de Gaza de eletricidade e água potável necessária para a sobrevivência, incluindo a restrição do abastecimento de água encanada, forçando a paralisação de bombas de água, instalações de dessalinização, águas residuais e esgoto, bloqueando o combustível necessário para o funcionamento de geradores de eletricidade, atacando trabalhadores e armazéns de água e saneamento, impedindo reparos e bloqueando a entrada de equipamentos e peças. De acordo com uma avaliação realizada por organizações humanitárias entre 17 de agosto e 5 de setembro, 49% da população tinha acesso a menos do que o padrão mínimo de emergência de 6 litros de água potável por dia. A falta de água e saneamento contribuiu para um desastre de saúde pública, com a maioria das famílias sofrendo com piolhos e ácaros e afetadas por problemas de pele, como erupções cutâneas e sarna, devido à falta de higiene e superlotação. A negação de água por Israel à população palestina de Gaza equivale ao crime contra a humanidade de extermínio e ao ato genocida de submeter intencionalmente a população a condições de existência capazes de ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial. O uso contínuo da fome como arma de guerra, que é um crime de guerra, e a privação de serviços básicos também violam as medidas provisórias vinculativas emitidas pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) no caso de genocídio da África do Sul contra Israel, que continua em andamento.
Em setembro, após ameaças do ministro da Defesa de Israel de destruir a cidade de Gaza, a menos que o Hamas libertasse os reféns e depusesse as armas, replicando a destruição de Rafah, e de acordo com um plano para demolir o que resta da infraestrutura civil de Gaza e concentrar ainda mais a população palestina, as forças israelenses ordenaram o deslocamento dos residentes da cidade e áreas vizinhas e iniciaram seu ataque, destruindo arranha-céus e casas. No total, até outubro, mais de 1,2 milhão de pessoas haviam sido deslocadas desde 18 de março e, em 17 de setembro, 82% de Gaza estava dentro de uma zona militarizada por Israel ou sob ordem de deslocamento, de acordo com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA, em inglês). Desde outubro de 2023, as forças israelenses deslocaram à força quase toda a população de Gaza, muitas vezes várias vezes, em atos que a Human Rights Watch considerou equivalentes a crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
As forças israelenses realizaram ataques em áreas fora da zona militarizada ou sob ordens de deslocamento, incluindo um ataque em 30 de junho ao café al-Baqa, à beira-mar, que teria matado entre 24 e 36 pessoas.
Os ataques israelenses e as demolições realizadas por engenheiros de combate e escavadeiras militares danificaram 78% de todos os edifícios de Gaza, até 8 de julho, tornando grande parte da Faixa inabitável e constituindo claramente uma limpeza étnica em grande parte de Gaza.
Praticamente todas as escolas de Gaza — 97% — foram danificadas ou destruídas, com a grande maioria (76%) atingida diretamente e 92% necessitando de “reconstrução total ou grandes obras de reabilitação para voltar a funcionar”. As forças israelenses atacaram repetidamente escolas transformadas em abrigos, inclusive em ataques indiscriminados ilegais, matando pelo menos 836 pessoas que se abrigavam lá até 18 de julho, de acordo com a Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA, em inglês).
As autoridades israelenses também realizaram 793 ataques a instalações de saúde em Gaza, até 11 de setembro, matando 983 pessoas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Ataques consecutivos ao Hospital Nasser em 25 de agosto mataram pelo menos 22 pessoas, incluindo profissionais de saúde, equipes de resposta a emergências e cinco jornalistas. Em 12 de outubro, apenas 14 dos 36 hospitais, 10 dos 16 hospitais de campanha, 64 dos 181 centros de saúde primários e 109 dos 359 postos médicos permaneciam parcialmente funcionais. O colapso do sistema de saúde privou cerca de 50 mil mulheres e meninas grávidas em Gaza do acesso a cuidados adequados e aumentou o risco de complicações graves de saúde durante a gravidez, o parto e o pós-parto. Também limitou severamente o acesso a serviços de reprodução assistida. A Human Rights Watch documentou ataques aparentemente ilegais a hospitais e ambulâncias, detenções arbitrárias e tortura de profissionais de saúde, restrições a evacuações médicas e crimes de guerra cometidos enquanto as forças israelenses ocupavam hospitais. O proeminente médico Hussam Abu Safiya, diretor do hospital Kamal Adwan, foi preso pelas forças israelenses em dezembro de 2024 e teria sofrido agressões durante a detenção.
As forças israelenses também mataram jornalistas palestinos de forma deliberada, incluindo um ataque em 10 de agosto que matou os correspondentes da Al Jazeera Anas al-Sharif e Mohammad Qreiqeh e outros quatro profissionais da mídia. As forças israelenses mataram 220 jornalistas em Gaza em menos de dois anos, de acordo com a Repórteres Sem Fronteiras.
Em 23 de março, as forças israelenses aparentemente mataram deliberadamente 15 paramédicos e socorristas palestinos em Rafah, cujos corpos foram encontrados em uma vala comum. Elas atacaram repetidamente as forças policiais, a segurança dos comboios de ajuda humanitária e os funcionários envolvidos na administração dos assuntos civis em Gaza, e fortaleceram as milícias palestinas sob seu controle, contribuindo para a quebra da ordem pública. Também atacaram repetidamente locais frequentados por trabalhadores humanitários e impuseram novos requisitos de registro de organizações não governamentais, dificultando a atuação de organizações internacionais.
As forças israelenses também permaneceram no controle de grandes partes de Gaza e continuaram a realizar demolições de infraestruturas civis e ataques letais contra palestinos após a entrada em vigor do cessar-fogo.
Hamas e grupos armados palestinos
Grupos armados em Gaza mantiveram reféns 48 cidadãos israelenses e estrangeiros durante a maior parte do ano, todos eles entre os mais de 250 reféns mantidos desde outubro de 2023 em atos que a Human Rights Watch considerou equivalentes a crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Em agosto, grupos armados palestinos divulgaram vídeos dos reféns mostrando homens extremamente magros, com sinais de inanição. Em 13 de outubro, os grupos libertaram os 20 reféns que ainda estavam vivos e, nos dias seguintes, devolveram os corpos de todos os que haviam sido mortos, exceto um.
Após o cessar-fogo, o braço armado do Hamas realizou execuções sumárias de algumas pessoas que acusava de colaborar com o exército israelense.
Cisjordânia
As forças israelenses lançaram operações em janeiro que esvaziaram três campos de refugiados no norte da Cisjordânia — Jenin, Tulkarem e Nur Shams — de seus residentes, deslocando cerca de 32.000 pessoas, o maior deslocamento na Cisjordânia desde 1967, e impedindo-as de retornar, com poucas exceções, atos que equivalem a crimes de guerra, limpeza étnica e crimes contra a humanidade.
Em toda a Cisjordânia, as forças israelenses mataram 182 palestinos em 2025, até 7 de outubro, com um total de 969 desde 7 de outubro de 2023, de acordo com o OCHA. Até 8 de setembro, os palestinos mataram 11 civis israelenses e 6 soldados na Cisjordânia em 2025.
A violência dos colonos israelenses atingiu o nível mais alto em mais de 18 anos em 2025, com mais incidentes ocorridos nos primeiros nove meses resultando em vítimas ou danos materiais (2.660) do que em qualquer outro ano desde pelo menos 2006, de acordo com o OCHA. Os colonos israelenses mataram 7 palestinos no total durante esse período, incluindo, em julho, Odeh Hathalin, que trabalhou no filme vencedor do Oscar “No Other Land”.
As autoridades israelenses continuaram a raramente processar os responsáveis pela violência contra os palestinos.
As autoridades israelenses forneceram segurança, infraestrutura e outros serviços a mais de 730.000 colonos na Cisjordânia ocupada, que inclui Jerusalém Oriental.
Em meados de setembro de 2025, as autoridades israelenses já haviam avançado com planos para construir 25.000 unidades habitacionais em assentamentos na Cisjordânia, um recorde histórico, de acordo com o grupo israelense Peace Now. Em agosto, as autoridades israelenses deram aprovação final para a construção de 3.400 unidades habitacionais no coração da Cisjordânia, ameaçando fragmentar ainda mais os palestinos. Em meados de outubro, foram estabelecidos 58 “postos avançados” de assentamentos, que não são autorizados, mas recebem apoio governamental e militar para tomar posse de terras na Cisjordânia. A transferência de civis para território ocupado é um crime de guerra.
As autoridades israelenses aplicam a lei civil israelense aos colonos, mas governam os palestinos da Cisjordânia sob a lei militar, negando-lhes o devido processo legal básico e julgando-os em tribunais militares.
A dificuldade em obter licenças de construção israelenses em Jerusalém Oriental e nos 60% da Cisjordânia sob controle exclusivo de Israel (Área C) levou os palestinos a construir estruturas que correm o risco de demolição por serem não autorizadas.
Em 2024 e nos primeiros nove meses de 2025, as autoridades israelenses demoliram, de acordo com o OCHA, 2.577 casas palestinas e outras estruturas na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, por falta de licenças de construção, que as autoridades tornam quase impossíveis para os palestinos obterem em áreas sob controle exclusivo de Israel. Durante esse mesmo período, demolições ou violência de colonos apoiados pelo Estado desalojaram quase 8.000 pessoas de suas casas, além das quase 32.000 desalojadas durante as incursões de 2025 no norte da Cisjordânia.
Liberdade de circulação
As autoridades israelenses aumentaram as restrições de movimento contra os palestinos em 2025. Uma pesquisa realizada no início de 2025 pelo OCHA encontrou 849 obstáculos à circulação em toda a Cisjordânia que restringiam permanente ou intermitentemente a circulação dos palestinos. As autoridades israelenses continuaram a exigir que os portadores de identidade palestina tivessem autorizações difíceis de obter e com prazo limitado para entrar em Israel e em grande parte da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. Israel continuou a construção da barreira de separação, 85% da qual se encontra na Cisjordânia e que, quando concluída, isolará 9% da Cisjordânia.
Abusos cometidos pela Autoridade Palestina
Em 2025, a Autoridade Palestina (AP) intensificou sua repressão à dissidência, prendendo arbitrariamente e torturando críticos e oponentes com impunidade. Durante os primeiros oito meses de 2025, o órgão fiscalizador palestino, a Comissão Independente de Direitos Humanos, recebeu 356 denúncias de prisões arbitrárias, incluindo detenções sem julgamento ou acusação, e 79 denúncias de tortura e maus-tratos durante a detenção pela AP.
Durante as três primeiras semanas de janeiro de 2025, a Autoridade Palestina continuou as operações de segurança no campo de refugiados de Jenin, iniciadas em 5 de dezembro, matando e colocando em risco os residentes do campo, limitando o acesso a alimentos, água e eletricidade, danificando casas e levando a dezenas de prisões e outros abusos. Em janeiro, a Autoridade Palestina suspendeu a transmissão da Al Jazeera no território ocupado da Cisjordânia e um tribunal palestino restringiu o acesso a vários sites da Al Jazeera. As autoridades israelenses também prorrogaram em janeiro suas ordens de fechamento contra a Al Jazeera na Cisjordânia.
Não houve alterações nas leis de status pessoal para muçulmanos e cristãos que discriminam as mulheres.
Israel
As leis aprovadas pelo Knesset para impedir a UNRWA de operar em Israel e no território ocupado entraram em vigor no início de 2025. Desde então, as autoridades israelenses impediram que funcionários internacionais da UNRWA entrassem em Gaza, impediram a UNRWA, que era a maior provedora de ajuda, de distribuir ajuda em Gaza e emitiram ordens de fechamento para escolas operadas pela UNRWA em Jerusalém Oriental, impedindo-as de abrir em setembro de 2025 e afetando quase 800 crianças, algumas das quais não puderam se matricular em outras escolas. Um parecer consultivo do TIJ de 22 de outubro, após audiências públicas em abril e maio das quais participaram quarenta Estados e organizações internacionais, concluiu que a alegação de Israel de que a UNRWA carece de imparcialidade é infundada e que sua obstrução ao trabalho crítico da agência é contrária ao direito internacional.
Detenção, tortura e maus-tratos a palestinos
Até 1º de outubro, as autoridades israelenses detiveram mais de 11.000 palestinos, incluindo 3.544 palestinos em detenção administrativa sem acusação ou julgamento e em grande parte com base em provas secretas, e 2.673 palestinos de Gaza sob a “Lei de combatentes ilegais”, uma forma mais restritiva de detenção administrativa. Em 10 de outubro, como parte do acordo de cessar-fogo, as autoridades israelenses libertaram quase 2.000 detidos palestinos, a maioria de Gaza, mantidos sob a “Lei de combatentes ilegais”. Até 30 de junho, as autoridades israelenses mantinham 360 crianças palestinas detidas. Israel negou acesso independente às instalações de detenção, incluindo ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha, desde 7 de outubro de 2023.
As autoridades israelenses detiveram arbitrariamente, torturaram, infligiram violência sexual e negaram alimentação e cuidados médicos adequados a homens, mulheres e crianças palestinos detidos. Pelo menos 75 palestinos morreram em detenção desde 7 de outubro de 2023, com Israel frequentemente retendo seus corpos.
Hostilidades regionais
As forças israelenses retiraram-se da maior parte do sul do Líbano no início de 2025, após um cessar-fogo com grupos armados libaneses em novembro de 2024, mas suas forças permaneceram no Líbano em pelo menos cinco locais ao longo da fronteira. Em 2025, as forças israelenses lançaram ataques ou se envolveram em hostilidades no Iêmen, na Síria, no Irã, no Catar e na Tunísia. Israel realizou ataques em áreas controladas pelos houthis no Iêmen, que mataram civis e danificaram e destruíram infraestruturas civis essenciais, enquanto os houthis lançaram ataques que atingiram alvos civis em Israel — ambos provavelmente crimes de guerra. As hostilidades de 12 dias entre Israel e o Irã em junho de 2025 mataram mais de 1.000 pessoas no Irã e 30 pessoas em Israel, de acordo com as autoridades, e envolveram graves violações das leis da guerra por ambas as partes.
Principais atores internacionais
Embora os Estados Unidos tenham mediado o acordo de cessar-fogo de 10 de outubro, o governo Trump indicou apoio aos crimes de guerra cometidos pelas forças israelenses e tomou medidas que aprofundam a cumplicidade dos EUA nesses crimes e tornam os EUA parte do conflito armado. Enquanto isso, a Comissão Europeia propôs a suspensão do pilar comercial do Acordo de Associação UE-Israel, após uma revisão que concluiu que Israel violou a cláusula de direitos humanos do acordo, mas a medida não foi adotada por falta de apoio de um número suficiente de governos da UE. O Reino Unido suspendeu as negociações de livre comércio com Israel. Vários estados também emitiram sanções contra colonos violentos e altos funcionários israelenses, suspenderam transferências de armas e proibiram o comércio com os assentamentos ilegais de Israel. Em setembro, a Assembleia Geral da ONU adotou a Declaração de Nova Iorque sobre uma “solução de dois Estados”, liderada pela França e pela Arábia Saudita. A declaração inclui um anexo que apela a medidas concretas, incluindo sanções específicas, a suspensão de acordos bilaterais e a proibição do comércio com os assentamentos. No entanto, os Estados não cumpriram, em grande parte, as suas promessas e obrigações de pôr fim aos crimes de Israel contra os palestinos.
Justiça internacional
Os promotores e juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) enfrentaram pressão política, intimidação ou sanções dos EUA em relação à sua investigação na Palestina. Em julho, os EUA também impuseram sanções a uma relatora da ONU e, em setembro, a três importantes organizações palestinas de direitos humanos, Al-Haq, Al Mezan Center for Human Rights e Palestinian Centre for Human Rights, no âmbito do seu programa de sanções relacionadas com o TPI. Em julho, sancionaram outro importante grupo palestino de direitos humanos, Addameer, no âmbito de um programa de sanções separado.
Os sistemas judiciais de vários países, incluindo França, Alemanha, Bélgica e Brasil, abriram investigações ou receberam denúncias de grupos da sociedade civil sob o princípio da jurisdição universal, com foco em supostos crimes internacionais cometidos pelas forças israelenses em Gaza.