Libyan government forces have also placed the T-AB-1 landmine in Misrata. The T-AB-1 plastic antipersonnel mine has a low metal content and is therefore difficult to detect.

© 2011 Human Rights Watch

(Cairo) - As forças do governo líbio colocaram mais de 150 minas antipessoais em pelo menos um local nas montanhas de Nafusa, afirmou hoje a Human Rights Watch. A Human Rights Watch visitou o local, inspecionou as minas que haviam sido removidas e entrevistou os rebeldes que as removeram.

"Essas minas antipessoais representam uma enorme ameaça para os civis," disse Steve Goose, diretor da Human Rights Watch para questões de armamento. "Mais de 150 países proíbem as minas terrestres, mas a Líbia continua a desafiar essa tendência global."

A Human Rights Watch confirmou que o governo usou cinco tipos de minas terrestres em seis locais diferentes na Líbia, inclusive o uso de minas antipessoais e anticarro próximo à Ajdabiya.

Este é o primeiro uso confirmado de minas nas montanhas de Nafusa, na parte do extreme oeste da Líbia.

As minas encontradas nas montanhas são minas antipessoais de fabricação brasileira, o T-AB-1 e foram colocadas cerca de 10 milhas ao norte da cidade de Zintan em um lugar chamado Khusha (coordenadas N 32º 02.448', E 012º 12.710'), aparentemente para defender as posições do governo mais ao norte.

As minas antipessoais T-AB-1 são de plástico e possuem um baixo teor de metais e, portanto, são difíceis de serem localizadas, disse a Human Rights Watch.  Além das suas propriedades antipessoais, a T-AB-1 pode ser usada como deflagrador de mina anticarro com o mesmo nome.

Ainda não está claro quando as forças do governo da Líbia colocaram as minas antipessoais. As forças de oposição armada nas montanhas de Nafusa disseram que os combatentes rebeldes descobriram as minas no dia ou por volta do dia 1o  de junho de 2011 e que removeram 169 minas. A Human Rights Watch inspecionou as minas desmontadas em Zintan.

A autoridade da oposição de fato na Líbia, o Conselho Nacional de Transição, formalmente se comprometeu em 28 de abril a não usar minas antipessoais e anticarro e destruir todas as minas terrestres em sua posse.

"Esperamos que os rebeldes respeitem a sua promessa de não usar minas terrestres e destruir todas as minas em seu poder," disse Goose.

As forças do governo colocaram minas antipessoais T-AB-1 em outras áreas durante o conflito. Em maio, pesquisadores da Anistia Internacional documentaram o uso de minas em dois lugares em Tammina bairro de Misrata, uma área residencial ao sudeste do centro da cidade.

A Líbia é um dos 37 países que não aderiram ao Tratado de Proibição das Minas. Um total de 156 nações são parte do tratado e outros dois países assinaram mas não ratificaram o Tratado.

O Brasil assinou o Tratado de Proibição de Minas Terrestres no dia 3 de dezembro de 1997 e tornou-se Estado Parte no dia 1º de outubro de 1999. O Brasil cessou a produção e exportação de minas terrestres antipessoais em 1989. O país nunca usou minas antipessoais.

O Tratado de Proibição de Minas, de forma abrangente, proíbe o uso, produção e transferência de todas as minas antipessoais, requer a destruição de todos os estoques dentro de quarto anos e a desminagem de todas as áreas em 10 anos e clama pela assistência às vítimas de minas terrestres. Nos últimos anos, as forças do governo da Birmânia são as únicas que continuam a usar minas antipessoais.

"O uso de minas antipessoais no conflito da Líbia põe em perigo os civis durante e após o fim dos combates," disse Goose.