Jornalistas ajudam o colega repórter Gregory Jaimes que foi ferido após set atingido por policiais próximo à base aérea La Carlota durante confrontos com manifestantes contrários ao governo em Caracas, Venezuela, na quarta-feira, 1º de maio de 2019.

© 2019 AP Photo/Rodrigo Abd

"Relatos de uso de violência pelas forças de segurança contra manifestantes contrários ao governo na Venezuela geram receio de graves e generalizadas violações de direitos humanos contra apoiadores da oposição nos próximos dias", disse a Human Rights Watch hoje.

No 1º de maio de 2019, as autoridades venezuelanas responderam às massivas demonstrações em apoio a Juan Guaidó, o presidente da Assembleia Nacional que está desafiando Nicolás Maduro pelo controle da Venezuela, com violência e detenções generalizadas, incluindo violência contra jornalistas que cobrem as manifestações, segundo relatos da imprensa e de grupos venezuelanos. Desde que Guaidó anunciou um levante militar e civil em 30 de abril, autoridades também tiraram do ar dois canais internacionais de notícias da TV a cabo e fecharam uma proeminende estação de rádio venezuelana.

“A Human Rights Watch está extremamente preocupada com a resposta violenta das autoridades contra manifestantes que tomaram as ruas nesta semana”, disse José Miguel Vivanco, diretor de Américas na Human Rights Watch. “As autoridades venezuelanas deveriam saber que a comunidade internacional está observando de perto suas ações, e que serão eventualmente responsabilizadas por quaisquer abusos cometidos contra pessoas detidas ou manifestantes pacíficos”.

Ativistas e jornalistas na venezuela relataram à Human Rights Watch e pela mídia local que em certos casos, as forças de segurança atiraram contra manifestantes com balas de borrachaa queima roupa , e em outros casos, grupos armados pró governo atiraram contra manifestantes com munições reais. Imagens que circularam amplamente nas mídias sociais e foram confirmadas por jornalistas locais mostram um veículo blindado da Guarda Nacional Bolivariana avançando sobre manifestantes em 30 de abril.

Os confrontos deixaram dezenas de pessoas feridas, de acordo com os relatos, e a Unicef mencionou relatos preliminares que entre os feridos incluem-se adolescentes. Ao menos quarto mortes foram reportadas, incluindo a de um garoto de 14 anos que estava em uma manifestação em Caracas. A Human Rights Watch analisou fotografias,  supostamente de uma das pessoas mortas, que mostram o buraco de uma bala na cabeça da vítima. A vítima foi morta por grupos armados pró governo, de acordo com fontes locais.

O Fórum Penal, um importante grupo não-governamental, relata que pelo menos 240 pessoas, incluindo 17 adolescentes, foram detidas desde 30 de abril em Caracas e em 13 dos 23 estados do país.

Em 30 de abril, autoridades venezuelanas tiraram do ar a CNN e a BBC da TV a cabo e fecharam a Radio Caracas. Elas continuam fora do ar. Importantes grupos de mídia livre, como Espacio Público, a União Nacional dos Trabalhadores de Imprensa, e a IPYS Venezuela, relataram ameaças de morte e ataques a jornalistas cobrindo demonstrações, incluindo por meio de espancamentos e balas de borracha a curta distância. Ainda, a NetBlocks, uma organização que monitora interrupções e cortes na internet, relatou que a CANTV, uma TV estatal, limitou o acesso a plataformas de streaming ao vivo enquanto Guaidó discursava em um comício em30 de abril.

No dia 1º de maio, a Alta Comssária das Nações Unidas para os Direitos Humanos disse que está “extremamente preocupada sobre os relatos de uso excessivo da força pelas forças de segurança contra manifestantes” pelo país”.

Em 30 de abril, Maduro renomeou Gustavo González Lopez para substituir o diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), General Manuel Ricardo Cristopher Figuera, que rompeu com Maduro. Durante o mandato anterior de González López como diretor do SEBIN, de 2014 a 2018, agentes do SEBIN participaram de prisões arbitrárias e abusos contra detidos, incluindo tortura.

“A renomeação de González López deveria levantar a atenção internacional, tendo em vista seu histórico deplorável de atrocidades”, disse Vivanco.