Moradores do Distrito do Buzi, na província de Sofala, Moçambique, aguardam nos telhados, as equipas de salvamento, depois do ciclone Idai, 19 de Março de 2019.

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Os ventos fortes, a chuva intensa e as inundações em massa causadas pelo Ciclone Idai há duas semanas deixaram um rasto de destruição no centro de Moçambique, numa escala que só será verdadeiramente percepcionada quando a água da chuva recuar. No entanto, já se sabe que, desde 14 de Março, o dia em que o ciclone atingiu o continente, mais de 500 pessoas morreram e pelo menos 1400 estão a receber tratamento para a cólera.

Com as autoridades, Nações Unidas, Cruz Vermelha e outras agências humanitárias a terem dificuldade em dar abrigo a mais de 146 mil deslocados, surge um novo problema: há milhares de desaparecidos. Várias das pessoas alojadas nos centros de acomodação explicaram à comunicação social que perderam familiares enquanto fugiam da subida das águas. Uma mulher explicou que não conseguia encontrar o marido, a mãe e os seis irmãos. Uma menina de 8 anos contou num canal local de televisão que a última vez que viu os pais e dois irmãos, foi quando estes a deixaram num telhado do qual foi posteriormente resgatada.

Muitos dos desaparecidos podem ter encontrado abrigo num dos 155 locais para deslocados nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia e Tete. Outros podem ter regressado às suas aldeias quando a chuva parou.

A Cruz Vermelha, que tem experiência em encontrar pessoas desaparecidas em contexto de conflito, desastres naturais e migrações, criou um site para ajudar as pessoas nas áreas afetadas de Moçambique, Zimbabué e Malawi. Mas será necessário envidar maiores esforços para encontrar os milhares de pessoas que continuam desaparecidas.

Os princípios que regem os deslocamentos internos das Nações Unidas estabelecem que os governos devem “esforçar-se para determinar o paradeiro e o destino” das pessoas dadas como desaparecidas e para cooperar com as agências internacionais envolvidas nesta tarefa. As autoridades também terão de manter os familiares dos desaparecidos informados sobre o curso da investigação e notificá-los de qualquer novidade. 

O governo moçambicano deve criar urgentemente uma base de dados nacional de pessoas desaparecidas para ajudar as famílias a identificar e localizar os seus familiares. Devem também agir com rapidez e eficácia para estabelecer contacto com os sobreviventes, líderes comunitários e parceiros internacionais para garantir a restauração destes vínculos familiares fundamentais.