O Vice-Presidente do Brasil, Hamilton Mourão, apoiou publicamente o direito das mulheres de decidirem por um aborto, em uma entrevista publicada hoje no jornal O Globo.

Mourão levantou o tema do aborto depois de ser perguntado sobre gênero, explicando que quando uma mulher ou menina fica grávida após um estupro ou não tem condições de manter um filho, “.. então talvez aí a mulher teria que ter a liberdade de chegar e dizer ‘preciso fazer um aborto’”. Ele esclareceu que a sua opinião como um cidadão, e não como um membro do governo, é que aborto é “uma decisão da pessoa”.

O aborto é ilegal no Brasil, exceto em casos de estupro, quando necessário para salvar a vida da mulher, ou quando o feto sofre de anencefalia, um transtorno cerebral congênito fatal. Muitas mulheres e meninas não têm outra alternativa a não ser procurar métodos clandestinos e frequentemente inseguros para interromper uma gravidez indesejada. Estima-se que uma em cada cinco mulheres no Brasil tenham feito um aborto até a idade dos 40 anos. A imensa maioria desses abortos foram clandestinos.

A opinião de Mourão é surpreendente e encorajadora, vinda de um proeminente membro do governo do presidente Jair Bolsonaro. Bolsonaro disse que vetaria qualquer lei aprovada no Congresso que expandisse o acesso ao aborto.

Sua controversa decisão de nomear a pastora evangélica Damares Alves como ministra de direitos humanos deixou muitos defensores dos direitos sexuais e reprodutivos bastante preocupados. Damares Alves disse em dezembro que queria o “Brasil livre de aborto”.-

Nesse contexto, as palavras do vice-presidente Mourão trazem alguma esperança de que possa haver autoridades dispostas a defender o direito das mulheres de decidirem sobre o aborto.

Mourão deveria transformar suas palavras em ação trabalhando dentro do governo de Bolsonaro não apenas para se opor a qualquer restrição adicional ao direito de escolha das mulheres, mas também para expandir o acesso ao aborto legal e seguro.

Está mais do que na hora que as mulheres brasileiras possam decidir sobre seus corpos e vidas.