A língua de sinais é uma ferramenta essencial para a comunicação de dezenas de milhares de pessoas surdas e surdas-cegas. Mas em certos lugares, barreiras ao uso da língua de sinais fazem com que muitos adultos e crianças surdos ou surdos-cegos sejam privados de comunicar-se com outros, e portanto de exercer muitos de seus direitos, inclusive à educação e ao trabalho.

Ao longo dos últimos dois anos, eu testemunhei muitos desses casos no Brasil.

Muitas pessoas com deficiência no Brasil vivem em instituições de acolhimento por longos períodos, alguns por suas vidas inteiras. Todas as pessoas surdas e surdas-cegas que eu encontrei em instituições no Brasil não eram capazes de usar a língua de sinais. Eles nunca foram ensinados a língua de sinais e não eram capazes de se comunicar singificativamente com funcionários das instituições, com outros residentes, e com o mundo externo.

Os funcionários dessas instituições equivocadamente alegavam que residentes surdos e surdos-cegos, bem como outras pessoas com “graves deficiências”, não poderiam ser educadas. Mas exemplos ao redor do mundo mostram que, ao aprender a língua de sinais, pessoas surdas e surdas-cegas podem obter acesso à educação, ao desenvolvimento profissional, e à vida polítcia.

Além disso, governos e organizações do mundo todo deveriam considerar a oportunidade de incluir a língua de sinais em seus materiais. Isso garantiria o acesso à informação para pessoas surdas e surdas-cegas. Por exemplo, a Human Rights Watch recentemente editou um vídeo sobre pessoas com deficiência vivendo em instituições de acolhimento, para incluir a janela em LIBRAS. Nós o exibimos em uma sessão do Conselho Nacional para Pessoas com Deficiência (CONADE) em agosto.

A linguagem deve ser inclusiva para todas e todos, e usar a língua de sinais com mais frequência pode ajudar a garantir que todos possam entender. No Dia Internacional das Línguas de sinais, é importante lembrar que sem educação e inclusão, estamos perdendo a valiosa  contribuição que todas as pessoas com deficiência podem fazer à sociedade.