Criança aguarda no saguão do centro de detenção de imigrantes de Adelanto, California, EUA, 13 de abril de 2017.

© 2017 Reuters

Hoje, o escritório de direitos humanos da ONU denunciou a prática estadunidense que separa crianças de seus pais migrantes e refugiados nas fronteiras do país.

Em resposta, a Embaixadora dos EUA na ONU, Nikki Haley, repreendeu a organização, sugerindo que o “ataque ignorante” da ONU seria evidência de “hipocrisia”. Se esquivando da questão ao apontar “históricos de direitos humanos repreensíveis” em outros países que compõem o Conselho de Direitos Humanos da ONU, a embaixadora acrescentou em tom desafiador que “nem as Nações Unidas nem ninguém mais vai ditar como os Estados Unidos defendem suas fronteiras”. Mas ela não entendeu o ponto da questão.

Sim, os EUA têm o direito de proteger suas fronteiras – mas não atropelando os direitos de famílias e crianças vulneráveis. O escritório de direitos humanos da ONU em Genebra, liderado pelo Alto Comissário Zeid Ra’ad Al Hussein, tem um histórico admirável de colocar sob o holofote abusos de direitos humanos ao redor do globo, e o órgão ganha credibilidade ao não deixar de criticar a política migratória dos EUA. Direitos humanos não cessam nas fronteiras, afinal.

Desde o começo de maio, o governo Trump separou mais de 658 crianças de seus pais na fronteira dos EUA, em grande parte graças à sua injusta e cruel política recente de “tolerância zero”. Tal política encaminha os pais à detenção e os acusa do crime de entrar no país ilegalmente, enquanto seus filhos – incluindo bebês e crianças de até dois anos – são levados sob custódia do governo de forma separada e isolada.

O chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly, disse que separações podem ser um “duro desincentivo” para migrantes ingressarem nos EUA, e hoje o Procurador-Geral Jeff Sessions declarou que a política funciona como advertência “legítima” àqueles que possam vir aos Estados Unidos com seus filhos. Tais depoimentos são de fato chocantes. A prática de separar crianças de seus pais para evitar a imigração de terceiros é abusiva e totalmente indefensável.

“Os EUA deveria interromper imediatamente essa prática de separar famílias”, disse o porta-voz da ONU. Concordamos plenamente. Pais e filhos deveriam ser tratados com dignidade e permanecer juntos.

Haley pode tentar desviar a atenção dessas cruéis políticas ao atacar a ONU, mas a severidade da abordagem do governo Trump não passa despercebida.