Marielle Franco no Rio de Janeiro.

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(Rio de Janeiro) – As autoridades brasileiras devem assegurar uma investigação rápida, profunda e independente sobre o assassinato de uma vereadora e ativista dos direitos humanos e de seu motorista no Rio de Janeiro, disse hoje a Human Rights Watch.

Marielle Franco, de 38 anos, e o motorista Anderson Pedro Gomes, 39, foram baleados em 14 de março após um carro aproximar-se e abrir fogo contra eles. Uma assessora de imprensa que trabalhava para Marielle estava sentada no banco de trás e ficou ferida.

"Marielle foi uma atuante e corajosa ativista pelas vítimas de abusos da polícia e uma incansável defensora dos direitos das mulheres e dos negros", disse Maria Laura Canineu, diretora da Human Rights Watch no Brasil. "As autoridades brasileiras precisam responder decisivamente, identificando e levando à justiça os responsáveis ​​pelo assassinato de Marielle e Anderson".

Marielle nasceu e cresceu em uma comunidade do Rio, onde se tornou uma ativista. Nos últimos dias, ela havia publicado vários tweets sobre mortes pela polícia no Rio de Janeiro.

Ela foi eleita vereadora da Câmara do Rio de Janeiro em 2016 e era presidente da Comissão da Mulher. Recentemente, Marielle foi nomeada relatora de uma comissão municipal para monitorar a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. O presidente Michel Temer decretou a intervenção em fevereiro, entregando o controle da polícia estadual e das prisões às forças armadas.

A responsabilidade pela investigação dos assassinatos é da polícia civil do Rio de Janeiro e, se solicitado, pode recair sobre a polícia federal. O general do exército que é responsável pela intervenção federal no Rio deve garantir aos investigadores os recursos necessários e a independência para identificar os assassinos, disse a Human Rights Watch.

O Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, deveria convocar imediatamente o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) – responsável por assegurar a condução de investigações adequadas pela polícia – para participar da investigação.

"O clima de quase total impunidade prevalecente no Rio de Janeiro precisa acabar de uma vez por todas", disse Maria Laura. "Marielle e Anderson são as últimas vítimas de um sistema de segurança que há tempos tem fracassado em acabar com a violência, ou garantir justiça às vítimas".